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O Teatro - Os Ludi Scaenici

          Nas grandes festividades, aos jogos de circo estão associadas representações teatrais cíclicas, também elas ligadas ao culto e talvez devidas a influências etruscas. Eram habituais de Abril a Novembro, durante os Ludi Romani, Plebei, Apollinares, Megalenses e Florales. Realizavam-se extraordinariamente por motivo de promessa ou em ocasiões de funerais, triunfos, inauguração de monumentos.
          Os primeiros teatros foram improvisados, com a assistência instalada numa colina; vieram a seguir os teatros de madeira, desmontáveis.
          Com Pompeio, surge o primeiro teatro de pedra - em semicírculo, como os teatros gregos, tendo ao fundo um cenário fixo - alta parede ornamentada de estátuas - e reservando a orquestra para os lugares dos senadores.
          Proscenium ou pulpitum é a parte elevada (o palco) onde os atores representam; frons scaena, a parede do fundo (a porta à esquerda dos espectadores "conduz" ao porto ou campo, a que fica à direita, à cidade); cavea a parte onde se instalam os espectadores (anteriormente colina; agora, degraus de pedra).
          Mas este teatro de pedra é posterior aos primeiros dramaturgos - Lívio Andronico, Névio, Énio, Pacúvio, Ácio, Plauto e Terêncio.
          As primeiras peças representadas são tragédias e comédias de imitação grega e de assunto ora grego (fabula palliata), ora já romano (fabula togata, praetexta).
          Há partes recitadas (diverbium) e partes cantadas ou declamadas com acompanhamento de flauta (canticum). Na comédia, o canticum substitui o coro. Os atores são escravos. Os papéis de mulheres são interpretados por homens. Há, no entanto, notícia de atrizes intérpretes de minos. Só depois de Terêncio de adota a máscara.Imediações do teatro de Marcelo - Roma
          A cor e o tipo de vestuário identificavam as personagens: de branco, os velhos; de púrpura, os ricos; de amarelo, as cortesãs; com clâmide, os soldados; com túnica curta, os escravos...
          O espetáculo, gratuito, é anunciado com antecedência e realiza-se entre o almoço e o jantar. Mais tarde haverá longas representações que começam de manhã e acabam à noite.
          As peças de Plauto (254-184 a. C.) são constituídas por um prólogo (argumentum e captatio benevolentiae, para informar e conquistar o público), um número variável de atos e um breve epílogo. Imitam a Comédia Nova grega (crítica a tempos humanos universais) e não têm coro, mas é nelas importante o elemento musical.
          O público prefere o teatro como diversão, gosta da sátira, da mímica, da crítica improvisada à vida quotidiana.
          No tempo de Cícero, esta tendência mantêm-se; às obras com valor literário, preferem as "atelanas", farsas grosseiras, de personagens tradicionais (o comilão, o avarento, o corcunda...), o "mimo" (farsa-bufa ou bufo-dramática decalcada tanto quanto possível sobre a realidade... para falar propriamente, uma fatia de vida que se transportava quente e apimentada para a cena) e, mais tarde, as "pantomimas", quando o texto cede o lugar ao espetáculo coreográfico.
          Os Romanos construíram teatros não só em Roma, mas nas cidades do Império. Ele é "símbolo da superioridade da civilização romana". Os governantes compreenderam que, através dele, especialmente numa época em que já não funcionam os comícios, podiam entrar em contato com a multidão e mobilizá-la em determinado sentido.
          Os edis escolhiam muitas vezes o repertório adequado e o povo aproveitava também muitas vezes a ocasião para apresentar os seus protestos e reivindicações.