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Mais Religiosos que os Próprios Deuses

          Para os Romanos, supersticiosos, cada acontecimento é um presságio.
          É preciso saber interpretá-lo, conhecer exatamente as palavras rituais e os gestos que podem afastar o mal e atrair influências benfazejas.
          Deuses e deusas, em grande número, acompanharam a evolução que transformou o romano, de simples lavrador apegado à terra, em conquistador do mundo. E, assim, os velhos deuses, ligados a cultos agrários, adquirem tributos guerreiros de modo a protegerem, de agora em diante, não só os campos semeados, as colheitas, as árvores, os rebanhos, mas também o comércio, os navios, as viagens, os exércitos.
          Nenhum deus dispensa, natural ou estrangeiro, a nenhum se concedem ócios que lhes permitam entregar-se às aventuras que geram o mito, como na Grécia.
          O romano tudo assimila. Assimilou elementos religiosos dos Etruscos, Albanos e Sabinos. Com o conhecimento dos deuses gregos, muitos dos velhos deuses romanos confundiram-se com estes: Marte é Ares, Juno é Hera... Alguns houve que mantiveram sua importância e o seu caráter latino como Jano, o deus de dois rostos vigilantes, conhecedor do passado e do futuro, ou como Saturno, deus da abundância, da Idade do Ouro.
          O caráter utilitarista do romano está presente também no domínio religioso.
          Os que são verdadeiramente religiosos (mais tarde haverá descrença e ateísmo) esforçam-se por conhecer a vontade dos deuses para saber se poderão contar com auxílio, ou, no receio de lhes desagradar, cumprem minuciosamente os preceitos.
          A todos atos da vida quotidiana preside uma divindade mais ou menos importante - grandes deuses e pequenos deuses.
          As práticas religiosas têm um lugar primacial na vida pública e na vida privada dos Romanos. Os cônsules só ficam investidos na sua autoridade - a potestas e o imperium - depois de consultarem os auspícios e de sacrificarem a Júpiter no Capitólio.
          Até em campanha, o general não dispensa o áugure que vigia o apetite dos frangos sagrados.
          Há deuses cuja missão especial é proteger o Estado. Em todos os atos públicos ou antes de ser tomada qualquer medida de interesse nacional, realizam-se cerimônias religiosas. Aí os magistrados são os primeiros sacerdotes, assistidos pelos pontífices, porque os ritos e as fórmulas não podem ser modificados sob pena de qualquer inesperada calamidade.