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O Livro e sua Confecção

Matéria-prima - Os romanos empregaram materiais diversos para escrever, tais como folhas: folia, cortiça: liber, linho: lintei libri, tábuas de madeira, peles de boi.

As tábuas de madeira - tabulae ou cerae eram revestidas de cera e nelas se escrevia com um instrumento chamado stilus, feito de osso ou de metal. Essas tabulae eram usadas de preferência pelos escolares ou para anotar as despesas e receita de cada família. Várias tabulae podiam ser ligadas entre si e formavam o codex. O pequeno codex denominava-se codicilli ou pugillares.

O papiro - Com a descoberta do papiro (papyrus charta) e do pergaminho (membrana), a composição literária adquiriu grande incremento.

O Egito é considerado como a pátria dos papiros, porque ali havia a planta de onde se tirava a matéria-prima para a sua fabricação. O tecido interno do papiro era cortado em longas tiras - phylirae. Estas eram dispostas em sentido longitudinal e superpostas por outras em sentido horizontal e isto formava a charta. Cada folha de papiro denominava-se pagina e a reunião de várias folhas constitui o volumen.

O papiro romano - Um certo romano de nome Fânio procurou aperfeiçoar o papiro egípcio, comprimindo-o numa prensa ou castigando-o com o martelo. Graças a esse processo, foi possível obter uma página polida, isto é, sem aspereza, ao passo que o papiro egípcio era bastante áspero.

Não se escrevia no verso de cada página, salvo em casos excepcionais e, quando isto acontecia, o papiro era chamado de opisthographum.

Tipos de papiros - Havia grande variedade de papiros, mas quanto ao formato a altura das folhas destinadas a constituir rolos devia variar entre 20 e 35 centímetros; o preço dependeria da extensão e da largura. Todavia as folhas largas tinham o inconveniente de se rasgarem. O certo é que o formato variava, de acordo com os respectivos empregos.

Havia papel para cartas (charta epistolaris) e papel para livros. Até a época de César, escrevia-se no sentido da largura (transversa charta); para as cartas, no sentido do comprimento.

Plínio enumera as seguintes espécies de papiros:
§ charta regia ou lucrativa - utilizada até a queda da Realeza egípcia;
§ charta Augusta - depois de Augusto, com a largura de 0,34 m;
§ charta lívia- com a mesma dimensão;
§ charta hieratica- do período imperial com 0,20m;
§ amphitheatrica- assim chamada porque era fabricada perto do anfiteatro de Alexandria com 0,166m;
§ charta fanniana- manufaturada em Roma por certo fabricante chamado Fânio, com a largura de 0,18m;
§ charta Saitica- de Sis, de qualidade inferior, com 0,147m, de largura;
§ charta Taeniotica- manufaturada perto de Alexandria e vendida a peso;
§ charta Claudia- fabricada em condições de poder ser escrita nas duas faces.

Era possível obter-se um volume de qualquer largura com a superposição de várias folhas - paginae, plagulae, schedae, ligadas uma à outra, na extremidade.

Assim, o livro compunha-se de várias folhas formando um rolo (scapus) de, geralmente, vinte páginas. Costumava-se escrever em colunas e, via de regra, havia somente uma coluna entre as colunas. Encontramos também duas colunas em cada folha.

Havia rolos - volumen - de até 81 metros, o que constituía grande dificuldade para ser manuseada, bem como conservado.

Não era fácil enrolar um volumen; começava-se pelo fim, com o auxílio de um pequeno bastão de madeira ou de osso, chamado umbillicus, cujas partes extremas se chamavam cornua. Colocava-se um umbillicus nas duas extremidades. Concluída a leitura, começava a operação de enrolar o volume pela extremidade direita. A expressão ad umbillicum adducere significava que se tinha lido o livro até o fim.

O pergaminho - A proibição da exportação de papiros incrementou o emprego do pergaminho - membrana. Com efeito, o uso da pele, de animais como matéria-prima na confecção dos livros já era antiga, mas a necessidade veio, apenas, impor a sua adoção em grande escala.

O pergaminho, além de não ser tão frágil quanto o papiro, podia ter as duas faces polidas e prestava-se a ser dobrado em quatro, formando cadernos - quaterniones. A união de vários cadernos formava o codices membranei, que já apresentavam semelhança com os nossos livros atuais. A maior dificuldade no emprego do pergaminho consistia no preço elevado em que ficava cada livro. Os primeiros codices datavam do Império, da época dos Flávios.

Material empregado para escrever - A tinta empregada (atramentum) era preta e o tinteiro (atramen) espécie de pequeno caniço (calamus) importado do Egito ou de Cnido, ou uma pena de ave - penna, afiada na extremidade.

Um canivete apropriado (scalprum) afiava a ponta, quando esta já estivesse rombuda.

As penas eram guardadas numa caixa especial chamada theca libraria.

Pequenas tábuas de cera - cerae - eram empregadas para escrever bilhetes, carta breves, notas e certas práticas de magia. Várias cerae podiam ser ligadas entre si através de um cordão ou codex. Posteriormente, deu-se o nome de dúplices, tríplices, quadriplices, quinquiplices ao conjunto de cerae, de acordo com o número de tábuas empregadas. Com o decorrer do tempo, o termo caudex passou a ser usado para indicar os livros de pergaminho.

Os caracteres eram gravados nas cerae por meio de uma longa haste chamada stilus ou graphium, sendo essa operação qualificada de arare ou exarare.

Órgãos de publicidade - Os atos públicos mais importantes eram divulgados nos acta diurna populi, que constavam de folhas isoladas, nas quais também havia informações e comentários referentes a acontecimentos da vida cotidiana. Eram, por assim dizer, o embrião dos órgãos da imprensa de nossos dias. Os escritores utilizavam-se dos acta diurna como preciosa fonte de informações.

Os escribas - As famílias costumavam dispor de pessoal habilitado a fazer nas cerae a escrituração de sua receita e despesa cotidiana. Essa tarefa podia ser confiada a escravos librarii ou amanuenses. Os escravos, que copiavam as cartas do dominus chamavam-se servi ab epistuls.

No fim da República, livreiros (bibiopola) mantinham pessoal especializado na arte de escrever nas cerae: seribae cerari e estenógrafos (notarii).

Livrarias - livrarias (tabernae) encarregavam-se de fornecer livros a número limitado de pessoas, que podiam adquiri-los. Não havia o direito de propriedade literária, como bem comprova o fato de haver Cícero enviado a Attico a obra de Hirtius, para que o livreiro editor a divulgasse em seu próprio interesse. Assim, o autor ficava privado de receber honorário como pagamento de seu trabalho intelectual.

As famílias mais importantes mantinham bibliotecas particulares e somente muito depois, apareceram as bibliotecas públicas. Foi Asinius Pollio quem criou a primeira.

Leituras públicas - Era hábito muito espalhado a leitura pública, o que permitia a um número considerável de pessoas o conhecimento das obras literário. Tal processo conseguiu contrabalançar as dificuldades existentes na divulgação do livro. Augusto imprimiu considerável incremento a essas reuniões a que grupos de pessoas compareciam com o objetivo de ouvir a leitura de uma obra. Na época do imperador Adriano foi construído o Athenaeum, uma espécie de pequeno teatro, com a finalidade exclusiva de reunir pessoas interessadas na leitura pública.

As leituras públicas se efetuavam, geralmente, depois, do meio-dia.

NÓBREGA, Vandick L. da. Metodologia do latim - vida cotidiana e instituições. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1975.