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A Educação entre os Romanos

Aspecto geral - O Estado Romano não intervinha na educação da juventude, pois isto era atribuição exclusiva da família.

Nos primeiros tempos, o ensinamento consistia em ler, escrever e contar.

Era absoluto o poder do paterfamilias sobre os filhos, pois lhe era facultado usar do ius vitae necisque. Assim, poderia ele expor - exponere - os filhos recém-nascidos, que, geralmente, morriam de inanição ou eram recolhidos por cidadãos, que, via de regra, os exploravam sob todos os aspectos.

Se, porém, o pai desejasse reconhecer - suscipere - o filho como elemento integrante de sua família, deveria conferir-lhe o nome numa cerimônia religiosa. Era o dies lustricus, que coincidia com o nono dia de nascimento para os meninos e com o oitavo, para as meninas. O ato consistia num sacrifício doméstico ou numa apresentação ao templo, realizando-se, em seguida, uma refeição.

Os romanos eram supersticiosos e, por isto, cuidavam de proteger os filhos contra os malefícios, ou melhor, contra o que se chama de maus-olhados: fascinatio. Com esta finalidade, penduravam no pescoço do recém-nascido uma medalha redonda ou em forma de coração - bulla. Os meninos a conduziam até o dia em que vestiam a toga virilis, e as meninas, até o dia do casamento.

Não havia, na República, a obrigação de declarar o nascimento do menor perante qualquer autoridade. Foi Marco Aurélio quem tornou obrigatória a declaração feita pelo pai dentro de trinta dias após o nascimento, o que se fazia, em Roma, perante o praefectus aerarii, e nas províncias, perante os tabularii publici.

Ensino Primário - A instrução primária ou elementar era ministrada pelo litterator; a secundária pelo grammaticus; e a superior pelo rhetor.

O ensino primário era ministrado na escola do ludi magister, pessoa que se contentava com o pagamento de modestos honorários. As lições eram dadas em locais inadequados -tabernae, pergolae - e até ao ar livre. O professor sentava-se na cathedra e os discípulos em bancos individuais. O ensinamento consistia em leituras, caligrafia, aritmética e recitação da Lei das XII Tábuas. Os meninos iam para a escola acompanhados de um paedagogus, isto é, de um escravo, que conduzia o material escolar. As punições eram severas.

Ensino Secundário - O ensino secundário ficava sob a direção do grammaticus, que ministrava em casa ou em escola pública, mantida por particular. Os autores estudados eram Homero, Lívio Andronico e Ênio. Posteriormente, a partir de Augusto, os autores recomendados passaram a ser Virgílio, Cícero e Salústio. A idade em que os alunos freqüentavam a escola do grammaticus variava entre 11 ou 12 e 16 anos, e todos eles de lá saiam conhecendo perfeitamente o latim e o grego. Não havia o ensino de história nem de geografia, como disciplinas, mas todos os ensinamentos referentes a elas eram ministrados em função dos textos, objeto de estudo.

Ensino Superior - O ensino superior tinha por objetivo preparar os jovens para a vida pública. Era a época em que os adolescentes vestiam a toga virilis. Compreendia quatro ou cinco anos de estudo profundo de eloqüência, através de exercícios práticos sob forma de suasoriae, com a finalidade de persuadir, ou de controversiae, que eram discussões sobre teses contrárias, defendidas por dois estudantes.

As discussões perante o rhetor eram públicas.

NÓBREGA, Vandick L. da. Metodologia do latim - vida cotidiana e instituições. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1975.